domingo, 20 de setembro de 2009

Reflexao poetica sobre o sentido da vida


imagen original no Flick: link aqui

"A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida." (Vinicius de Moraes)

O que ouvimos é que a vida é fácil de ser vivida nós é que complicamos, mas será que é mesmo? Claro que em alguns momentos nós a complicamos pra valer, mas nem sempre. Eu costumo dizer que a vida deveria ter uma vírgula, um ponto de espera para depois o fim. Mas não é assim. Ela nunca pára para podermos reavaliar. Temos que ir caminhando e tomando decisões sendo elas importantes ou não. Luis Fernando Veríssimo fala que a vida é estranha, não importando que tipo de olhar você lance sobre ela. E ele tem razão. Há momentos em que não sabemos o porquê dela e nem para que lado irá nos levar. Apenas sabemos que vale a pena viver e que mesmo sendo difícil em alguns momentos e complicados em outro ela é simplesmente linda e tem sua forma particular de nos conduzir.

Quando vejo o pó da terra fico olhando para ele com uma enorme interrogação. Somos feito dele e para ele voltaremos [...] até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, e ao pó voltará". (Gênesis 3:19b). Com isso podemos chegar a conclusão que somos o melhor desta terra, é a mesma terra que nos alimenta e que a destruímos com lixos, venenos e pouco importamos com sua qualidade.


Fico olhando para nós como que do lado de fora. Vejo alguém tentando dominar o seu mundo, coleira no cachorro, um vaso com peixe, muros tão altos quem nem ele mesmo sabe para quê. Barreiras daqui dali e vem o vento destrói tudo, vem o ladrão e leva o ouro como se não existisse nada para interromper sua imaginação. Os mesmos que criam barreiras são os mesmos que nos destroem. - O homem e suas idéias mirabolantes.


Anunciamos para todos que o sentido de nossa vida está em encontrar um amor. Alguém que nos complete nos faça felizes e realizados e sabemos muito bem que jamais seremos felizes com outra pessoa se não formos felizes e realizados primeiro conosco. Com a vida que escolhemos e com o sentido que damos a ela. Depois que achamos ter encontrado este ser tão poderoso não demora muito já mudamos o discurso, e é sempre o outro o ruim, nunca nossa própria vida e como a levamos e continuamos assim tentando e achando que no outro encontraremos algo. Nos conformamos quase sempre com essa história e não tentamos mudar, apenas seguimos o ritmo do conformismo.


Quando encontro casais que se separaram pergunto o porquê e a resposta é sempre a mesma:- a diferença. Mas por que se são as diferenças que nos fazem tão encantadores no inicio da relação. Ficamos tão grilados com elas que gladiamos, fazemos tormentas em copos de água. Enquanto poderíamos aprender com as diferenças e celebrarmos a vida. Mas não é fácil assim. Só parece fácil. Do pó somos feitos frágeis, levados pelo vento...


Amo os apaixonados, eles são o reflexo do nosso desentendimento total da vida. Queremos estar o tempo todo juntos, mas somente brigamos quando nos encontramos. Alguns conseguem fazer com que a paixão vire amor e ai dura, outros descobrem que mesmo apaixonados não dá para ficar juntos e outros destroem o objeto da paixão por não saber o que fazer com ele.


Como a vida nem sempre é o que parece nos perdemos pelo caminho. Amamos dizer que vivemos em grupo, mas é a sós que nos sentimos nós mesmos é no isolamento que construo meu mundo. Só nos importamos em estar bem, não para mim, mas para mostrar ao outro que sou importante. Afinal é a aparência que manda não quem sou de verdade. Por isso gastamos mais tempo com ela que com meu pó (eu) interior.


Bom, a vida mesmo com suas complicações e beleza não deve ser considerada apenas um rito de passagem. É mais que isso é a oportunidade que temos de encontrar, curtir dar e receber de outros. É o presente mais precioso que temos. Muitas das vezes as barreiras não nos deixam ver. O velho sábio Salomão disse que vale mais a sabedoria. É verdade mais vale também viver de forma calma, tranqüila mesmo na tempestade. Como? Sabendo olhar com olhos de aprendizado a tudo. Pois em cada desastre temos culpa, temos parcela de culpa e temos algo a aprender.


Então o que vale da vida é viver, vale amar. Amar de forma correta sem querer ser o que não somos, sem teorias cabulosas ou formas de explicar tudo pela ciência ou religião. Apenas ser mais doce, amar a vida e o que ela nos dá. Amar as pessoas com suas diferenças de pensamento e personalidade. Jogando no lixo o rancor, ódio que nos guia cegamente.


O amor é a forma mais linda de expressar carinho, vontade de viver e abandono de críticas. Mas não sabemos amar, conhecemos o amor posse, o amor domínio. Este não vale a pena. Precisamos amar momentos, situações, pessoas, animais e amar a vida como ela é. Assim vale a pena viver.


Hoje você acordou amanhã só Deus sabe. Mas não pensamos assim, achamos que somos infinitos então fazemos tudo errado parecendo que vamos ter uma nova chance. Mas não tem, então vamos viver a vida de forma mais calma sabendo que o amanhã não nos pertence.

Silvia Letícia Carrijo de Azevedo Sá

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